Ibovespa volta a cair com preocupação com coronavírus ofuscando dados dos EUA e resultados


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(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa registra queda nesta quinta-feira (29) , seguindo a baixa de 4,25% no pregão anterior.

As preocupações com a segunda onda do coronavírus no mundo seguem pesando negativamente e ofuscam o PIB dos EUA, acima do esperado, e os resultados de Ambev (ABEV3), Bradesco (BBDC3; BBDC4), Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3). A Petrobras teve resultado positivo, de acordo com analistas de mercado, mas as ações caem em um novo dia de fortes perdas para o petróleo.

Na véspera, tanto França quanto Alemanha anunciaram lockdowns para conter o avanço da doença, o que levou investidores a projetarem um desempenho ainda mais comprometido para a economia global em 2020.

O dia também é de indicadores importantes. O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos teve um crescimento de 33,1% no terceiro trimestre de 2020 na comparação com o segundo trimestre em termos anualizados. Segundo o consenso Bloomberg, a expectativa mediana dos economistas para o dado era de avanço de 32%.

Hoje também foram divulgados os pedidos por seguro-desemprego nos EUA, que chegaram a 751 mil na semana passada. Este número foi menor do que a mediana das expectativas dos economistas compilada no consenso Bloomberg, que apontava para 770 mil requisições do benefício no período.

Às 10h08 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha leve queda de 0,15%, aos 95.230 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial tem leve variação positiva de 0,21% a R$ 5,774 na compra e a R$ 5,775 na venda. O dólar futuro com vencimento em novembro registrava alta de 0,64%, a R$ 5,784.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 cai três pontos-base a 3,46%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de quatro pontos-base a 5,03%, o DI para janeiro de 2025 avança nove pontos-base a 6,75% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de 11 pontos-base a 7,53%.

Por aqui, um novo incidente entre os poderes ocorreu, mas o incêndio foi prontamente apagado. Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, afirmou que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, vazou para a imprensa uma conversa particular que teve com ele na véspera.

Campos Neto procurou Maia para expressar seus temores em torno da crise política e da possibilidade das reformas não andarem no Congresso. Segundo interlocutores, Maia disse a Campos Neto o mesmo que tem respondido em público: que a obstrução parte da base do governo.

Mais tarde, no Twitter, Maia disse que recebeu uma ligação do presidente do BC afirmando que ele não divulgou a conversa à imprensa. “Diante da palavra do presidente, o vazamento certamente foi provocado por terceiros. Deixo aqui registrado a ligação e a confiança que tenho nele”, defendeu o presidente da Câmara.

Ainda no radar, o Banco Central manteve a Selic e confirmou o forward guidance de taxas inalteradas. Parte dos analistas vê comunicado como dovish (favorável a relaxamento monetário para estimular a economia) apesar da recente pressão inflacionária e da paralisia das reforma, enquanto há quem destaque que o BC fechou as portas para novos cortes.

Também na política, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou atrás em proposta de estudar parcerias privadas para obras e administração de Unidades Básicas de Saúde. A medida havia levantado temor de uma privatização do SUS.

Atenção ainda para o noticiário corporativo por aqui, com a repercussão dos números reportados por Petrobras, Vale, Bradesco, Ambev, entre outras companhias.

Governo recua 

Após repercussão negativa, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) revogou o decreto que 10.530. O documento autorizava estudos para realizar parcerias entre os setores privados e público, para construção e administração de UBS (Unidades Básicas de Saúde).

A medida levantou preocupação sobre uma possível privatização do SUS, e foi combatida por parlamentares, especialistas, ex-ministros, e gerou comoção nas redes.

Ao recuar, Bolsonaro defendeu o decreto, afirmando que o objetivo era viabilizar a finalização de obras no SUS. Ele afirmou que era “falsa” a ideia de que havia pretensão de privatizar o serviço.

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O decreto era assinado por Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, mas não pelo ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello.

Em nota reproduzida pelo portal UOL, o Ministério da Economia alegou que o decreto teria sido pedido pelo Ministério da Saúde, comandado pelo general Eduardo Pazuello. “De acordo com o Ministério da Saúde, a participação privada no setor é importante diante das restrições fiscais e das dificuldades de aperfeiçoar o modelo de governança por meio de contratações tradicionais”.

Mas, segundo o Estadão, a revogação pegou o próprio Ministério da Saúde de surpresa. De acordo com o jornal, a pasta demorou quase um dia inteiro para responder a questionamentos.

A resposta chegou praticamente no mesmo momento em que Bolsonaro recuava publicamente. O Ministério da Saúde enviou uma nota à Coluna do Estadão defendendo a proposta abortada, alegando se tratar de um pedido da pasta. A nota afirmava que “a avaliação conjunta (com a Economia) é de ser preciso incentivar a participação da iniciativa privada”.

Citando fontes governistas, a coluna afirma que Pazuello ficou, novamente, “vendido”, ou seja, foi pego de surpresa, pelo episódio.

Intenção de investir

Segundo leitura da Sondagem de Investimentos da FGV publicada pelo jornal Valor nesta quinta-feira, a intenção de investimentos da iniciativa privada ensaia retomada nos próximos meses. A pesquisa consultou 4.050 empresas.

Segundo o levantamento trimestral, após retração recorde no período de abril a junho, indústria, serviços, comércio e construção sinalizam maior intenção investimentos para os próximos 12 meses até o terceiro trimestre de 2021

Quanto mais pontos no indicador, maior a intenção de investir nos próximos 12 meses.

Na indústria, a intenção de investimentos atingiu 104,1 pontos, 47,8 a mais do que no segundo trimestre. No comércio, atingiu 109,9 pontos, alta de 31,7 pontos frente o segundo trimestre. Na construção, atingiu 94,3 pontos, alta de 29,7 pontos frente o segundo trimestre. Em serviços, atingiu 91,4 pontos, alta de 33 pontos frente o segundo trimestre.

As reações mais fortes nos setores industrial e de varejo são impulsionados pela demanda de bens de consumo não duráveis, como alimentos e vendas pela internet.

Mesmo assim, cerca de um terço dos empresários ainda demonstra incerteza em fazer investimentos nos próximos 12 meses.

Na indústria, 28,2% dos empresários se mostram incertos em investir, frente 49,5% no segundo trimestre. Nos serviços, 49,1% dos empresários mostram incerteza em investir, frente 66,5% no segundo trimestre. No comércio, 35,7% mostram incerteza, frente 41,1% no segundo trimestre. E na construção, 40,3% mostram incerteza, frente 65,9% no segundo trimestre.

Radar corporativo

Na quarta-feira, a Vale informou um aumento de 76% no lucro no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, com resultados impulsionados pela demanda chinesa e pela alta do preço do minério de ferro. O lucro líquido atingiu US$ 2,9 bilhões.

Já a Petrobras teve prejuízo de R$ 1,5 bilhão no terceiro trimestre. O resultado foi afetado por itens como a adesão a programa de anistia tributária, informou a empresa na quarta-feira.

“Destacamos a aprovação da adesão aos programas de anistia tributária afetando tanto o lucro líquido quanto o Ebitda ajustado, e o prêmio pago na recompra de títulos, que afetou apenas o lucro líquido”, disse a estatal.

O lucro Ebitda foi de R$ 33,4 bilhões, frente R$ 32,6 bilhões no mesmo período de 2019.

Também na quarta, o Bradesco anunciou lucro recorrente de R$ 5 bilhões no terceiro trimestre, cerca de 15% acima da média de estimativas de analistas, segundo dados da Refinitiv. O patamar é, no entanto, 23,1% abaixo do lucro de um ano antes.

Já na manhã desta quinta, a Ambev reportou lucro de R$ 2,274 bilhões no 3º trimestre, recuo de 8,9% na comparação anual. Os valores referem-se aos atribuíveis aos controladores.

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