Ação do Bradesco (BBDC4) sobe 1,20%; analistas destacam bons resultados, apesar da inadimplência


Por um lado, desempenho mais forte do segmento de seguros, com o lucro superando as previsões. Por outro, crescimento da inadimplência, com crescimento forte da carteira de crédito, ainda que os números não preocupem tanto os analistas de mercado.

O resultado do Bradesco (BBDC4), divulgado na noite da última quinta-feira (4), foi considerado sólido, mas muitos analistas não viram como um possível catalisador para a ação. Para o Morgan Stanley, a reação seria positiva ao balanço, enquanto o Itaú BBA viu os números como neutros, não sendo um grande “trigger” para os ativos.

As ações iniciaram a sessão desta sexta-feira com volatilidade, chegando a registrar queda de mais de 2% na mínima do dia, diminuíram as perdas e fecharam com ganhos de 1,20%, a R$ 18,50. Cabe destacar que o ativo BBDC4 vinha de três sessões seguidas de alta, com avanço acumulado no período de 5,24%.

O segundo maior banco privado do país teve lucro recorrente de R$ 7,04 bilhões, alta de 11,4% sobre um ano antes e acima da previsão de analistas ouvidos pela Refinitiv, de R$ 6,783 bilhões. Em termos líquidos, o lucro de R$ 7,075 bilhões foi 18,4% maior.

“Vemos o resultado do Bradesco no 2T22 como marginalmente positivo, beneficiado principalmente por um desempenho mais forte do segmento de seguros, que compensou o NII (margem financeira) mais fraco do que o esperado e levou a um lucro líquido acima de nossa estimativa de R$ 6 bilhões”, apontam Renan Manda e Matheus Guimarães, analistas da XP.

Além disso, apontam, o banco continua apresentando crescimento robusto da carteira de crédito. Para eles, a inadimplência está sob controle (ainda que com aumento marginal, convergindo para níveis pré-pandemia).

No fim de junho, a carteira de crédito expandida do banco somava R$ 855,4 bilhões, com um avanço de 17,7% em 12 meses, puxado sobretudo pela expansão de linhas como cartão de crédito e pessoal, que são mais lucrativas.

O Bradesco registrou uma piora na qualidade da sua carteira de empréstimos, com o índice de inadimplência acima de 90 dias subindo 0,3 ponto percentual na base trimestre a trimestre e 1 ponto ano a ano, a 3,5%. Os indicadores antecedentes de calotes – atrasos acima de 60 dias e NPL – tiveram piora e o índice de cobertura, que representa a proporção que a provisão para risco de crédito é capaz de cobrir os créditos inadimplentes, caiu para 218% (baixa de 17,3 pontos percentuais na base de comparação trimestral e de 106,6 pontos percentuais na base anual), nível que os analistas da XP consideram ainda saudáveis.

Isso levou a Bradesco a ampliar em 52,5% o volume de provisões para perdas esperadas com inadimplência, também ano a ano, para R$ 5,31 bilhões. Na comparação trimestral, a alta foi de 9,9%.

O desempenho mais forte na margem financeira com clientes de R$ 16,9 bilhões (alta de 25,8% na base anual, 3% acima da estimativa da XP) foi compensado por uma margem com o mercado mais fraco do que o esperado, de perdas de R$ 587 milhões (versus R$ 2,3 bilhões no 2T21), o que levou a um NII total de R$ 16,4 bilhões (alta de 4,0% na base anual e 6% abaixo do esperado pelos analistas da casa). Dito isso, o resultado mais forte de seguros de R$ 3,7 bilhões (alta de 135% anual e de 12,8% trimestralmente) compensou o NII mais fraco no período e beneficiou seus resultados, aponta a XP.

Para o Morgan Stanley, este foi mais um trimestre sólido para o Bradesco, apresentando bom crescimento de resultado e superando as expectativas do mercado, mesmo com perdas em trading. Ajustando para estes números, os resultados operacionais teriam sido mais fortes ainda, avaliam os analistas, com um lucro operacional antes de trading de R$ 10,937 bilhões, alta de 20% na base trimestral e de 51% na anual.

“Vemos mais pontos positivos do que negativos neste trimestre. O Bradesco continua se beneficiando do cenário de alta das taxas de juros e sólido crescimento do crédito em meio a um ambiente macro e de emprego razoáveis. Assim, o crescimento do crédito e o NII tiveram um bom desempenho”, avalia o Morgan.

Para os analistas do banco, o mercado está muito focado e preocupado demais com a inadimplência – uma visão que os analistas não compartilham, ressaltando que os números apresentados corroboram sua visão positiva.

O Goldman Sachs destacou receitas saudáveis, mas em linha, suportadas por NII do cliente (melhores volumes, mix e spreads), taxas e seguros. As provisões também ficaram em linha com o esperado pelo Goldman, em uma combinação de inadimplência crescente (alta de 30 pontos-base na base trimestral, para 3,5%, parcialmente devido a cessões de crédito), menor cobertura (de 235% para 218%) e impairments positivos de R$ 1,8 bilhão.

Enquanto isso, “outras” despesas operacionais e a alíquota efetiva de impostos ficaram abaixo do esperado pelo Goldman Sachs, impulsionando a maior parte do lucro.

Para o Itaú BBA, os resultados foram neutros e sustentam visão construtiva para o médio prazo, mas não são suficientes para impulsionar as ações após o recente rali.

Os analistas também ressaltam que o NII do cliente se recuperou bem, com alta de 7% com mais varejo no mix e a reprecificação do portfólio. Os resultados de seguros se recuperaram mais rápido do que o projetado, com um aumento de 13% no trimestre. Os serviços cresceram 4% no trimestre, impulsionados pelos cartões. A qualidade e o custo do crédito nos segmentos de varejo e pequenas e médias empresas se deterioraram conforme o esperado, mas também tiveram uma estratégia de cessão de carteira e reversão de impairment de R$ 1,8 bilhão.

O Opex foi ligeiramente superior ao excluir os resultados não operacionais de seguros e sinistros judiciais. “Seria um erro excluir esses itens, mas não há motivo para alterar o guidance para o ano ou nossas estimativas. A pressão sobre a qualidade de crédito e o NII de mercado provavelmente diminuirá gradualmente no segundo semestre de 2022 e em 2023”, avalia.

Já para o Credit Suisse, os números foram vistos como positivos para o papel considerando a qualidade dos resultados acima do esperado, com forte desempenho de receita em quase todas as frentes, o que mais do que compensou o impacto negativo dos menores resultados. “A qualidade de ativos veio em linha com nossa visão de inadimplência controlada”, aponta.

Os analistas ressaltam ser provável que o banco possa superar o guidance de margem de clientes e seguros e continuam confortáveis com a premissa de custo de risco de R$ 21 bilhões para 2022.

“Acreditamos que os resultados do Bradesco dão uma leitura positiva para os resultados do Itaú (ITUB4), o que provavelmente deve aumentar a confiança no NII forte e qualidade do ativo”, aponta o Credit.

O banco suíço reitera recomendação outperform (desempenho acima da média) para o ativo BBDC4, com preço-alvo de R$ 22 (ou potencial de alta de 20% frente o fechamento da véspera), destacando o valuation atrativo e bom momentum de lucros para a segunda metade do ano. O Itaú BBA, apesar de ver os resultados como neutros, tem a mesma recomendação com preço-alvo de R$ 28,34, ou upside de 25,8%. O Goldman também recomenda compra, com preço-alvo de R$ 21 (upside de 15%).

O Morgan tem recomendação equivalente, overweight (exposição acima da média do mercado), com preço-alvo de US$ 5,50 para o ADR (na prática, a ação da companhia negociada na Bolsa americana), configurando em um potencial de valorização de 61% frente o último fechamento. Já a XP tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 22.

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