Lojas Renner (LREN3) tem resultado bom e acima do esperado, mas ação fecha em queda após sessão volátil


Os números reportados pela Lojas Renner (LREN3) nesta quinta-feira (4) foram considerados fortes e acima das previsões da média do mercado, sendo a divisão de varejo o principal destaque positivo.

“Lojas Renner apresentou resultados muito bons no 2T22, que ficaram acima das nossas previsões e consenso. O crescimento das vendas no varejo em relação à 2019 mostrou boa aceleração sequencial para 57%, enquanto os níveis de despesas gerais e administrativas, que tem sido o principal ponto de preocupação neste caso, vieram em boa forma, suportando um ajuste de varejo saudável”, comentaram analistas do Credit Suisse, em relatório.

Além disso, o banco suíço acredita que o lucro líquido de R$ 360,4 milhões, acima de sua projeções de R$ 280 milhões, deve levar a uma revisão positiva dos lucros e, portanto, justificar uma reação positiva das ações no pregão desta sexta-feira (5).

Os papéis registraram volatilidade durante todo o dia, chegando a subir 3,72% na máxima do dia e a cair 5,52% na mínima, fechando em queda de 2,76%, a R$ 27,47. Cabe ressaltar que na semana, até a véspera, os ativos acumulavam ganhos de 11,7%, tendo registrado quatro altas seguidas.

O time de research do Bradesco BBI classifica o resultado da Lojas Renner como forte, apesar da deterioração da qualidade dos ativos em Serviços Financeiros. Segundo analistas, o ponto mais importante foi a forte aceleração da receita em relação a 2019, que provavelmente será a aceleração mais rápida entre toda a cobertura de Vestuário e Calçados do banco.

Para Morgan Stanley, as vendas da varejista foram favorecidas pelo impulso contínuo de reabertura da economia, proporcionando um vento favorável para a demanda de vestuário. No entanto, o banco ressalta que a base de comparação para as vendas no varejo da Renner se torna mais difícil no segundo semestre, e vê a continuidade da inflação elevada como um potencial obstáculo para as vendas no varejo discricionário.

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Do lado negativo, a Realize ficou aquém das expectativas do BBA, com lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) caindo 77% na base anual devido a maiores provisões e menor índice de cobertura. Mas, segundo relatório do Credit Suisse, os resultados financeiros abaixo do consenso não foram o suficiente para ofuscar o desempenho robusto no núcleo.

BBI também aponta Serviços Financeiros como destaque negativo no balanço da Lojas Renner, devido aumento da inadimplência e provisões.

Por outro lado, a companhia vem colhendo benefícios das iniciativas mais recentes para conter o impacto da deterioração na qualidade dos ativos. Além disso, analistas do BBI destacam que os prazos de entrega estão melhorando e os custos de entrega estão caindo. Dessa forma, acreditam que o resultado apresentado ajuda a fortalecer a tese de recuperação de margem, que é a grande questão que preocupa os investidores desde a decisão de reduzir as margens no início de 2021.

No front operacional, segundo Credit Suisse, os resultados apresentaram bons sinais gerais. “Dois deles, evidenciam melhor a solidez das operações neste trimestre: (1) forte desempenho de vendas combinado com um trabalho muito bom nos níveis de margem bruta do varejo ambos sustentados por uma execução sólida; (2) indicações sólidas da economia digital: o  volume bruto negociado (GMV, na sigla em inglês) online cresceu e o custo por remessa caiu – a combinação de entrega mais rápida com melhor economia de unidade naturalmente é um bom presságio para uma dinâmica de lucratividade mais saudável no futuro.”

Embora os resultados do primeiro semestre tenham sido fortes, o risco de reversão da demanda e os ventos de margem associados ao segundo trimestre levaram o Morgan Stanley a manter classificação underweight (equivalente à venda) para Lojas Renner, com preço-alvo de R$ 30, um upside (potencial de valorização) de 6,2% frente a cotação de fechamento de quinta-feira (4) de R$ 28,25.

Já o Bradesco BBI é mais otimista e tem recomendação outperform (equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 40, upside de 41,6%.

Enquanto Credit Suisse e Itaú BBA permanecem neutros no nome, com preço-alvo de R$ 43 e R$ 27, nesta ordem.

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